Escutas telefônicas anexadas ao Inquérito Policial Militar que investiga o pagamento de propina por traficantes a policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro revelam que bandidos delimitavam locais por onde PMs deveriam circular, alteravam a escala de trabalho dos agentes e exigiam a transferência de quem desobedecia as regras impostas por eles.
Os criminosos criaram até áreas de exclusões de PMs, onde não haveria patrulhas de quinta-feira a domingo, e o dia certo para o pagamento do chamado mensalão do tráfico, que variava entre 100 e 500 reais por mês.
Os traficantes desembolsavam R$ 53 mil para as propinas. As ordens do tráfico de drogas eram repassadas por um homem identificado apenas como Alan. Ele aparece falando com o sargento Rinaldo do Desterro Santos nas conversas telefônicas interceptadas pela PM e entregues à Auditoria de Justiça Militar.
Após a descoberta do esquema, 30 PMs suspeitos foram afastados e três estão presos.
